domingo, 22 de maio de 2011

TECNOLOGIA E A VIDA COTIDIANA

TECNOLOGIA E A VIDA COTIDIANA
Alvaro Cesar Pestana

Afirmar que a tecnologia é interesse apenas dos técnicos é um uso equivocado da etimologia. Tecnologia sempre interfere com a vida de todos, tanto por assenhorar-se da organização social como por influenciar o patrimônio simbólico.

Um exemplo disto pode ser visto no que ocorreu com o desenvolvimento das tecnologias da irrigação. De fato, as grandes civilizações da Antiguidade desenvolveram-se ao redor de grandes rios onde a tecnologia da irrigação potencializou a produção de alimentos.

Na Mesopotâmia, no Egito, na Índia e na China, desenvolveram-se grandes civilizações baseadas no controle das águas. Tal “conhecimento” ou “uso de técnica” demanda um sistema de organização social que precisava apoiar-se em uma ideologia do rei-deus. Assim, técnica, organização social e ideologia se ajustaram para a implantação da técnica.

Claro que este tecnologia permitiu e obrigou a novos desenvolvimentos. Com o excedente de produção, a antiga mão de obra destinada à produção pode ser orientada para as grandes construções ou para a guerra. Também a proteção e a administração da tecnologia exigiu o desenvolvimento das classes de controle burocrático e defensivo. A tecnologia mudou a sociedade e criou a imagem do rei-deus para justificar o sistema.

Logo, todos sentem o impacto da tecnologia. Os técnicos não são os únicos a participar dela – toda a sociedade é envolvida. Infelizmente, muitos acabaram sendo oprimidos pelo sistema social que se desenvolveu. Também estes impérios da tecnologia do regadio acabaram por gerar as sementes de sua própria destruição. A hierarquia onerou o sistema e o militarismo gerou disputas que acabaram por gerar guerras intestinas.

Hoje, as Tecnologias da Informação e da Comunicação (doravante TIC) também estão desenvolvendo uma “nova civilização”. Da mesma forma que a tecnologia da irrigação, o desenvolvimento das TIC gera grandes vantagens e possibilita grandes desenvolvimentos – podemos pensar, especificamente, na área da Educação.

Pode-se aumentar rápida e continuamente a oportunidade de estudo sem as limitações da distância, do tempo e do interesse. Como dizia Comênio: “ensinar tudo para todos”. O futuro aponta para uma hegemonia da Educação a Distância.

Por outro lado, o desenvolvimento das TIC é acompanhado de mudanças na organização social e no patrimônio simbólico. Não poderia ser diferente. É exatamente neste ponto que devemos tanto aceitar e usar as vantagens do novo “conhecimento” como também aprender a lidar com o impacto dele na nossa vida e pensamento.

Hoje, impérios da mídia, seja ela televisiva (como a Globo) ou cibernética (como o Google), exercem e tentam exercer poder sobre a sociedade, no sentido de se auto-preservar e de atingir seus objetivos. Logo, a nova tecnologia civilizatória também envolve lutas e interesses como todas as anteriores.

Cumpre aos educadores, junto com outros segmentos da sociedade, usar a TIC e esta nova revolução tecnológica para o benefício maior do homem e não para a criação e mais uma forma de alienação, controle e exploração da sociedade em benefício de uma oligarquia.

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